As Mudanças no Mercado Corporativo

31/08/2015 19:10

Em outro artigo falei sobre a Central de Compras do Governo Federal e as consequências para as agências de viagens, em especial, as agências de viagens da capital federal que possuíam seu foco principal nos contratos de órgãos públicos. A partir de então, houve um decréscimo acentuado nas vendas para o Governo e as agências começaram a tomas algumas ações, tais como demissões, redução de custos, fusões, Downsizing, essas foram algumas medidas que objetivaram a sobrevivência nesse momento em meio a esse tsunami que arrasou pelo menos 90% das maiores agências desse segmento.

Muitos podem se perguntar o que o mercado corporativo tem haver com essa crise do outro lado? Tem tudo haver, num mercado globalizado todas as ações estão interligadas e como não poderia deixar de acontecer, o mercado corporativo começa a sentir as consequências da implantação da Central de Compras do Governo Federal. Abro aspas para relembrar o seguinte conto:

Certa vez, numa fazenda, um rato viu o fazendeiro desembrulhando uma ratoeira que comprou na cidade, e ficou apavorado. Saiu logo para avisar a bicharada. Encontrou-se com uma galinha e disse para ela: "Olhe, há uma ratoeira aqui nesta casa!" A galinha respondeu: "Que tenho eu a ver com isso? É problema de vocês ratos!" O rato saiu triste. Viu um porco e lhe disse a mesma coisa: "Tem uma ratoeira aqui na fazenda!" O porco respondeu: "E eu com isso? Se vire! "Mais na frente, o rato encontrou uma vaca e a avisou. A reação foi semelhante: "Vá resolver o seu problema, rato, e me deixe em paz". No meio da noite, a ratoeira desarmou. A dona da casa ouviu o barulho, levantou-se e foi ver o que era. Como estava escuro, ela foi picada por uma cobra venenosa, cujo rabo estava preso na ratoeira. Foi aquela correria. O fazendeiro a levou imediatamente para o hospital. A mulher ficou uma semana lá. Quando voltou, ainda não estava totalmente restabelecida. A primeira coisa que fizeram foi matar a galinha, para lhe servir uma sopa. Depois, mataram o porco. E, no fim de semana, como viriam vários parentes e amigos de longe para visitá-la, tiveram de matar a vaca. Todos diziam que não tinham nada a ver com a ratoeira. E dançaram!. 

Trazendo esse conto para o nosso segmento, muitas locadoras de veículos, operadoras turísticas, empresas de receptivo, consolidadoras, com certeza já devem ter feito essa mesma afirmação: Eu não tenho nada haver com isso. Pense bem....pois com certeza você e sua empresa ou organização também serão atingidos.

No caso do segmento corporativo isso já está acontecendo. Observe, como estratégia de negócios algumas agências que tinham seu foco no mercado governamental saíram em busca de novos clientes no mercado corporativo, elevando assim a concorrência e acirrando ainda mais a competitividade nesse nicho de mercado. Tal medida faz com que as taxas cobradas pelo agenciamento de viagem (FEE) comecem a ser o principal objeto de disputa das corporações. Na ânsia de conseguir atender esses clientes, as agências que cobravam taxas entre R$ 100,00 e R$ 50,00 já estão cobrando taxas na faixa de R$ 25,00 e a tendências é que a cada dia as taxas sejam menores e consequentemente a lucratividade das agências de viagens também seja menor, o que poderá nos trazer uma crise ainda maior.

As agências de viagens precisam enxergar que a saída para a crise não é baixar as taxas de agenciamento, reduzirem seu lucro e entrar nessa guerra tarifária assim como as companhias aéreas. A saída está muito além disso, consiste em duas palavras: Desafio e Inovação.

O que eu quero dizer é que um novo produto, um novo processo, uma nova forma de atendimento podem apresentar resultados surpreendentes, para exemplificar melhor, gostaria de citar o caso da Petrobrás que na década de 70 alcançava a exploração de petróleo em águas oceânicas somente a 100m de profundidade com a utilização de mergulhadores. A Shell nessa época já alcançava 300m. Para concorrer com a Shell e demais players, a organização lançou um desafio de elevar a quantidade de petróleo a ser explorado, que tinha como meta alcançar 1.500m de profundidade. Através de um elaborado projeto, uma boa estratégia, busca do conhecimento e principalmente INOVAÇÃO não somente foi alcançada a meta dos 1.500m como hoje a Petrobras detém a melhor tecnologia de exploração de petróleo em águas profundas alcançando a marcar incrível de 7.000m, explorando o petróleo do pré-sal.

Inovação é uma necessidade e deve fazer parte da cultura empresarial. É fator primordial na competitividade empresarial, Montgomery (1998) cita que, algumas inovações criam vantagem competitiva por perceberem uma oportunidade de mercado inteiramente nova ou atenderem a um segmento de mercado que os demais ignoraram. Quando os concorrentes demoram a responder, tais inovações dão margem à vantagem competitiva. Que nossas agências de viagens consigam alcançar esse conhecimento.

 

 

Eliomar Silvério Gonçalves

Voenews


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